Em 12 de dezembro de 2024, 16 detentos fugiram do presídio de Eunápolis, na Bahia. Mais tarde, as investigações e a delação premiada da ex-diretora da unidade prisional provaram que a fuga envolvia a facilitação da agente e o envolvimento de um ex-deputado federal, Uldurico Júnior.
O documentário “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, do Globoplay, que aborda o avanço das facções criminosas pelo Brasil, explica os detalhes dessa fuga. “O que a gente que identifica é que houve uma facilitação da diretora da unidade prisional, chamada Jurema, ela mesma reconhece isso nos seus depoimentos da colaboração premiada para que as lideranças do CV fugissem”, explica o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Bahia, Luiz Neto.
Neto explica ainda que o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá, propôs uma negociação ao político e à ex-diretora Joneuma Silva Neres.
A facção criminosa da qual Dadá faz parte teria pagado R$ 2 milhões para a facilitação.
Ainda de acordo com Neto, o deputado frequentava a prisão para negociar com as lideranças das facções.
O juiz corregedor do complexo, Otaviano Sobrinho, afirmou que a fuga resultou em uma maior violência na região. “A partir desse evento, tem sido notado um aumento dos fatos típicos de homicídio com o emprego de meios mais severos, como decapitações e esquartejamentos”, disse Sobrinho.
Até o momento, 13 detentos continuam foragidos. “Onde estão os detentos? Mais uma vez, dentro de um contexto nacional, no Rio de Janeiro que se tornou um verdadeiro bunker onde todos os criminosos e as lideranças das maiores facções do Brasil permanecem lá hospedados e de lá dirigindo todos os seus negócios ilícitos ao longo do estado”, explica Luiz Neto.
Operação no Rio
Cerca de um ano e meio após a fuga dos detentos, o Ministério Público da Bahia contou com o apoio da Polícia Civil do Rio para a realização de uma operação na comunidade do Vidigal para prender os foragidos.
O principal alvo era Dadá, que atuava em Caraíva. Após a fuga, o traficante se alojou na comunidade da Rocinha, no Rio, mas havia alugado uma casa no Vidigal para a comemoração do aniversário de sua filha de três anos.
Ele não foi preso na operação porque fugiu por uma passagem secreta na casa.
Três pessoas foram presas na operação
- Núbia Santos de Oliveira, mulher do traficante Wallas Souza Soares, o Patola, era procurada apontada como controladora financeira da facção;
- Patrick Cesar Tobias Xavier, preso em flagrante com mochilas contendo drogas, roupas camufladas e rádio comunicador. No momento da abordagem, Patrick apresentou uma identidade falsa no nome de Rodrigo Silva. Conhecido como “Bart”, de 38 anos, ele é procurado por mandados de prisão de Goiás. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, é considerado de alta periculosidade com atuação relevante no Comando Vermelho;
- Christian Fernandes Rodrigues da Silva, preso em flagrante com um fuzil e uma pistola com a numeração raspada. Ele é natural de Minas Gerais.
Por conta da ação policial, cerca de 200 turistas ficaram ilhados no alto do Morro Dois Irmãos, sem conseguir descer. A trilha de acesso ao ponto turístico — bastante procurado durante a madrugada para ver o nascer do sol — começa no alto da comunidade do Vidigal.
Por volta das 7h20, após a situação ser controlada, o grupo conseguiu deixar o local e desceu a comunidade em meio a blindados e carros da polícia.
Fonte//G1