Produtos Ypê são suspensos pela Anvisa por falhas no controle microbiológico da fábrica

A inspeção que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender a fabricação e determinar o recolhimento de produtos da Ypê foi motivada por um “histórico de contaminação microbiológica” registrado na empresa em novembro de 2025.

A informação foi confirmada ao g1 pela agência nesta última quinta-feira (7).

A medida abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.

Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes específicos de lava-roupas líquidos após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos.

“A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação”, afirmou a agência ao g1.

Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.

Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.

A Anvisa identificou descumprimentos relevantes das chamadas Boas Práticas de Fabricação, como fragilidades nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico.

Esses são, segundo a agência, aspectos diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, ou seja, de falhas que permitem a contaminação dos produtos por microrganismos.

ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

Elas atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde do consumidor.

Apesar da conexão técnica entre os dois episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção de abril, e não no caso de novembro de 2025, que compõe o histórico regulatório considerado na avaliação de risco.

Questionada se há risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida desta semana, a agência respondeu que foi identificado risco sanitário associado à possibilidade de contaminação, considerando o conjunto dos achados.

As medidas adotadas — recolhimento, suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso — foram classificadas pela agência como preventivas proporcionais.

Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário e recebeu da empresa informações sobre as quantidades recolhidas e a destinação dos produtos.

O caso seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.

O que diz a Ypê

Na última quinta, a Ypê manifestou “indignação com a decisão“, classificou a medida como “arbitrária e desproporcional” e informou que vai recorrer. A empresa afirma ter laudos de análises independentes que comprovam que os produtos são “totalmente seguros e adequados para consumo“.

“A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, informou a empresa, descartando problemas atuais com a bactéria encontrada em novembro.

O que é a bactéria encontrada em novembro

Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrado inclusive na pele de pessoas saudáveis.

Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

É justamente esse perfil que explica o teor do comunicado da empresa, direcionado especialmente a imunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.

De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, “essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis”.

As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.

Fonte//G1

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