A Operação Abraccio, deflagrada na manhã desta segunda-feira (30), apreendeu mais de 200 mil arquivos com fotos e vídeos de meninas e mulheres em situações degradantes. A ação mira uma quadrilha acusada de compartilhar imagens íntimas e humilhar vítimas por meio de chantagens nas redes sociais.
“Elas eram obrigadas a se mutilar, escrever os nomes desses homens em partes de seus corpos”, afirmou a delegada Gabriela von Beauvais, diretora do Departamento Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM).
A ação aconteceu em 21 municípios em 8 estados – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Amazonas, Goiás, Piauí – e no Distrito Federal e contou com a participação de mais de 160 policiais.
“Os vídeos são muito fortes. São vídeos com conteúdo misógino e racista, com xingamentos. Foram inúmeras violências praticadas ali. Eles também exigiam sacrifício de animais que essas vítimas tinham. Porque o objetivo era que elas sofressem muito. Nada era suficiente”, disse a delegada Fernanda Fernandes.
Prisões
Os policiais civis cumpriram cinco mandados de prisão. Uma pessoa está foragida. Os presos são:
- Victor Bruno Tavares de Oliveira, 20 anos;
- Gustavo Barbosa da Silva, 19 anos;
- Gustavo Oliveira Viana, 18 anos;
- João Vitor Franca de Souza, 24 anos;
- Pedro Henrique da Silva Lourenço, 20 anos
A delegada Gabriela definiu as cenas das imagens apreendidas como “horrendas”. “É um grupo criminoso misógino que visava humilhar meninas e mulheres através de violência psicológica, violência física e violência sexual. Tudo virtualmente”, explicou.
O grupo agia conquistando a confiança das vítimas por meio de aplicativos de namoro ou outros meios virtuais. Após convencer as mulheres a enviarem fotos íntimas, os integrantes passavam a ameaçá-las com a divulgação das imagens. Elas eram convencidas a participar de “desafios” que contavam com várias formas de violência.
Um dos presos é o militar da Aeronáutica Pedro Henrique Silva Lourenço que, de acordo com a polícia, é suspeito de aliciar as vítimas, que eram obrigadas a participar de “desafios” nos quais eram obrigadas a se automutilar. Quem não cumpria tinha imagens íntimas divulgadas. Ele foi questionado, mas preferiu não se manifestar. Procurada, a Aeronáutica não respondeu.
Também foram presos: Gustavo Barbosa da Silva e João Vitor França de Souza. Vitor Bruno Tavares, que já estava preso, teve a prisão convertida de temporária para preventiva.
Fonte//G1