PF vai investigar a contaminação de bebidas em SP e apurar se há distribuição em outros estados

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no estado de São Paulo. Segundo ele, é possível que essa rede de distribuição da substância atue também em outros estados.

O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. No estado de São Paulo, seis casos de intoxicação forma confirmados, incluindo três mortes, e dez estão em investigação. “Na segunda-feira, determinamos ao dr. Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que, ao tudo indica, transcende o limite de um único estado. Tudo indica que há distribuição para além do estado de são Paulo”, disse Ricardo Lewandowski

Segundo ele, o “número elevado e inusitado” de intoxicações por metanol em São Paulo chamou a atenção porque foge do tipo de padrões comuns, porque normalmente a ingestão de metanol ocorre por pessoas em situações de vulnerabilidade.

Diante desse cenário, um sistema de alerta rápido do governo que recebe informações de todo país quando a intoxicação por causas desconhecidas emitiu um alerta e, no sábado, a Secretaria de Defesa do Consumidor emitiu uma nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para tomarem cuidado com bebidas que pudessem estar contaminadas.

O Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica definindo o que é um caso suspeito ou não e esclarecendo os sintomas para orientar os profissionais de saúde sobre como identificar e agir nessas situações.

Segundo o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo, até a noite da segunda-feira (29) foram seis casos de intoxicação confirmados e dez estão em investigação. Entre os casos investigados, estão quatro jovens — dois homens e duas mulheres — que passaram mal após consumir gin comprado em uma adega na Cidade Dutra, na Zona Sul da capital, em 1º de setembro.

Um dos jovens, Rafael dos Anjos Martins Silva, está internado há quase um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em decorrência da contaminação. No boletim de ocorrência é descrito que ele começou a passar mal, vomitou e teve fortes dores abdominais após ingerir a bebida. A princípio, ele acreditou que eram sintomas de ressaca, até que começou a gritar que estava cego, e os pais o levaram para o hospital.

A mãe dele, Helena Martins, contou que o quadro do filho é irreversível. “Ele está respirando pelo ventilador, não tem fluxo sanguíneo cerebral. Segundo a medicina, é irreversível”.

Outra vítima é Rhadarani Domingos, que relatou ao Fantástico que ficou cega após beber três caipirinhas de vodca em um bar no Jardim Paulista, área nobre da capital. Na noite desta segunda, ela deixou a UTI, mas segue internada sem previsão de alta.

Como as intoxicações aconteceram?

Os falsificadores “batizavam” bebidas alcoólicas, como gin e vodca de marcas famosas, com o metanol. Em seguida, o produto era comercializada e consumida pelas vítimas.

Até o momento, não há informações sobre em qual etapa da produção ou distribuição ocorreu a adulteração, quem seriam os responsáveis pelo crime e quais outros tipos de destilados podem ter sido comprometidos.

A polícia já apura os responsáveis pelo crime. Uma adega na Zona Sul e três bares da capital paulista, localizados nos Jardins, Zona Oeste, e na Mooca, Zona Leste, são investigados.

Uma força-tarefa formada por policiais, integrantes do Centro de Vigilância Sanitária do estado e da Coordenadoria de Vigilância em Saúde da prefeitura realizaram na tarde da segunda uma ação de fiscalização em três bares da capital onde há relatos de suspeita de intoxicação por metanol. Foram apreendidas 117 garrafas de bebidas destiladas sem rótulos.

Fonte//G1

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