O Instituto Chico Mendes (ICMBio) informou que, além das 11 ararinhas-azuis que foram diagnosticadas com circovírus, outras 20 aves da mesma espécie estão infectadas com o vírus. Elas estão em um criadouro localizado em Curaçá, no norte da Bahia.
ENTENDA: O circovírus é um patógeno potencialmente grave e letal. Segundo o ICMBio, ainda não se sabe como as espécies brasileiras reagirão ao vírus, uma vez que, até esta ocorrência, não existia registro da doença em animais de vida livre no Brasil.
O Criadouro Ararinha Azul mantém 103 ararinhas-azuis. A gestão do espaço refutou a informação do ICMBio, e disse que apenas 5 aves estão o circovírus, conforme demonstrado em ao menos um exame. O criadouro ressaltou que as demais 98 aves testaram negativo para o vírus.
O patógeno é causador da Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos (PBFD). Segundo o ICMBio, o circovírus não tem cura e mata a ave na maior parte dos casos.
Os sintomas incluem a alteração na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. No entanto, este vírus não infecta humanos nem aves de produção.
Para a médica veterinária Ianei Carneiro, como o circovírus é muito contagioso, existe a possibilidade de não só acabar com a população de ararinhas-azuis, como também colocar em risco outras espécies da região.
“Esses animais positivos devem ser recolhidos imediatamente. Deve-se fazer toda a higienização de tudo que é utensílio ou possibilidade de contato com outras aves e acompanhar esses animais. […] A resposta imunológica do animal que está afetado por ele vai ficar bem diminuída, o que possibilita uma infecção secundária. Então, essa ave pode se contaminar, pode se infectar com o patógeno ambiental e sofrer, adoecer e morrer por conta disso”, explicou a médica veterinária.
Em 2022, um grupo de ararinhas-azuis do Criadouro Científico para Fins Conservacionistas do Programa de Reintrodução da Ararinha-azul foi solto em Curaçá, terra natal da espécie. No local, existiam 11 em vida livre.
Devido ao registro do circovírus, a soltura de um novo grupo de ararinhas-azuis, que estava prevista para julho deste ano, foi suspensa. O projeto será retomado assim que a situação sanitária estiver controlada.
O Instituto Chico Mendes informou que investigações vêm sendo realizadas para conhecer a origem do vírus nas ararinhas. O próximo passo é a separação segura entre animais positivos e negativos, a fim de garantir que as medidas de biossegurança sejam incorporadas à rotina de manejo dessas aves.
Fonte//G1