{"id":1581,"date":"2025-02-05T10:38:26","date_gmt":"2025-02-05T13:38:26","guid":{"rendered":"https:\/\/maisoeste.com.br\/?p=1581"},"modified":"2025-02-05T10:38:27","modified_gmt":"2025-02-05T13:38:27","slug":"cientistas-avancam-na-reproducao-artificial-do-pirarucu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maisoeste.com.br\/?p=1581","title":{"rendered":"Cientistas avan\u00e7am na reprodu\u00e7\u00e3o artificial do pirarucu"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da&nbsp;Embrapa&nbsp;Pesca&nbsp;e Aquicultura deram um passo importante na reprodu\u00e7\u00e3o artificial do&nbsp;pirarucu&nbsp;(<em>Arapaima gigas<\/em>), esp\u00e9cie amaz\u00f4nica amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e altamente valorizada na gastronomia e at\u00e9 pela ind\u00fastria da moda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela primeira vez, foi poss\u00edvel analisar e descrever as c\u00e9lulas esperm\u00e1ticas do peixe e comprovar a viabilidade de coleta de s\u00eamen, avan\u00e7o considerado essencial para garantir a oferta de alevinos e atender \u00e0 crescente demanda do setor produtivo por uma reprodu\u00e7\u00e3o artificial (fora do corpo do animal), como ocorre com outras esp\u00e9cies de peixe criadas em cativeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frutos de quase uma d\u00e9cada de estudos, os resultados foram publicados na revista cient\u00edfica&nbsp;<em>Fishes<\/em>&nbsp;e se deram no \u00e2mbito do projeto internacional&nbsp;<em>Aquavitae<\/em>, cons\u00f3rcio cient\u00edfico mundial voltado \u00e0 aquicultura, que abrange o Atl\u00e2ntico e regi\u00f5es banhadas por esse oceano (veja quadro no fim da mat\u00e9ria). \u201cEsse \u00e9 mais um marco em uma&nbsp;pesquisa que j\u00e1 dura nove anos e agora foca na criopreserva\u00e7\u00e3o de material gen\u00e9tico para a conserva\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o artificial da esp\u00e9cie\u201d, relata Lucas Torati, pesquisador que lidera o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente da til\u00e1pia (<em>Oreochromis niloticus<\/em>), por exemplo, cuja reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro j\u00e1 est\u00e1 consolidada h\u00e1 anos, a domestica\u00e7\u00e3o do pirarucu \u00e9 um dos maiores desafios da ci\u00eancia. Ainda hoje boa parte do setor produtivo realiza a sua reprodu\u00e7\u00e3o de forma natural. Estima-se que, em um universo de 10 a 15 casais formados em uma propriedade, apenas tr\u00eas ou quatro ir\u00e3o se reproduzir a cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com olho nesse cen\u00e1rio, os cientistas pretendem consolidar um protocolo para a reprodu\u00e7\u00e3o artificial da esp\u00e9cie, de modo que a oferta de alevinos seja constante ao longo do ano, uma antiga demanda do setor produtivo. O primeiro desafio foi encontrar um m\u00e9todo para identificar machos e f\u00eameas. Torati explica que a dificuldade de diferenciar os sexos da esp\u00e9cie faz os criadores povoarem os viveiros aleatoriamente na tentativa de formar casais. Quando um casal se formava, era colocado em um viveiro menor, mais f\u00e1cil de se manter o controle dos peixes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como resposta ao problema da sexagem, os pesquisadores desenvolveram um m\u00e9todo de canula\u00e7\u00e3o. Um tubo estreito \u00e9 inserido no \u201coviduto\u201d do animal permitindo distinguir o sexo e ainda verificar o grau de maturidade das f\u00eameas. \u201cUm piscicultor que trabalhou conosco nessa pesquisa obteve margens muito superiores de sucesso na reprodu\u00e7\u00e3o do pirarucu, s\u00f3 pelo fato de ele utilizar a canula\u00e7\u00e3o\u201d, conta Torati.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Salto de duas para sete reprodu\u00e7\u00f5es anuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O piscicultor mencionado \u00e9 Mois\u00e9s Zorzeto Neto, dono da Piscicultura Ra\u00e7a, em Canabrava do Norte (MT). Depois que ele aprendeu a t\u00e9cnica de canula\u00e7\u00e3o, sua produ\u00e7\u00e3o de alevinos aumentou consideravelmente. \u201cAntes, consegu\u00edamos uma ou duas reprodu\u00e7\u00f5es por casal por ano. Com a t\u00e9cnica, esse n\u00famero subiu para at\u00e9 sete\u201d, relata Zorzeto, que h\u00e1 18 anos produz alevinos de cinco esp\u00e9cies de peixe. A inova\u00e7\u00e3o o ajuda a organizar as matrizes reprodutoras e aumenta a efici\u00eancia do manejo em cativeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tecnologias para a reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies como til\u00e1pia e salm\u00e3o estejam bem estabelecidas, o mesmo n\u00e3o ocorre com peixes nativos brasileiros. Esp\u00e9cies como o tambaqui, por exemplo, dependem da terapia hormonal para ovular em cativeiro. No caso do pirarucu, at\u00e9 2010 poucos m\u00e9todos conseguiam distinguir machos e f\u00eameas, pois n\u00e3o havia uma ferramenta segura e dispon\u00edvel para confirmar o sexo dos peixes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c0quela \u00e9poca, nem se falava em reprodu\u00e7\u00e3o artificial do pirarucu. Mesmo porque procedimentos corriqueiros em outras esp\u00e9cies, como a coleta de gametas, era algo considerado imposs\u00edvel para o Arapaima\u201d, conta Torati.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos grandes empecilhos para a reprodu\u00e7\u00e3o induzida do pirarucu estava na falta de tecnologias para a realizar a bi\u00f3psia ovariana na esp\u00e9cie, fundamental para se avan\u00e7ar com as desejadas terapias hormonais. Para resolver o problema, foram feitos estudos de anatomia do peixe com a utiliza\u00e7\u00e3o de um ureterorrenosc\u00f3pio, endosc\u00f3pio utilizado para a remo\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculo renal em seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante os estudos, os cientistas perceberam que a anatomia do pirarucu \u00e9 diferente de outros peixes, os quais possuem um oviduto propriamente dito. \u201cEm certo momento, ap\u00f3s entender a anatomia do peixe, conseguimos substituir o ureterorrenosc\u00f3pio por uma c\u00e2nula endurecida com um arame dentro dela. Com essa c\u00e2nula endurecida conseguimos acessar a cavidade celom\u00e1tica do animal, onde fica o ov\u00e1rio. Isso possibilitou que consegu\u00edssemos distinguir machos e f\u00eameas com um acerto entre 80% a 100% e viabilizou identificar quais f\u00eameas est\u00e3o maduras e aptas para receber o horm\u00f4nio e induzir sua reprodu\u00e7\u00e3o\u201d, detalha o pesquisador da Embrapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O desafio da coleta do s\u00eamen do pirarucu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do projeto Aquavitae, em 2019, o maior desafio era coletar o s\u00eamen do pirarucu. \u201cNas primeiras coletas, come\u00e7amos a encontrar problemas de contamina\u00e7\u00e3o com urina. Ao coletar s\u00eamen de qualquer esp\u00e9cie, n\u00e3o pode ter \u00e1gua ou urina junto, pois o espermatozoide \u00e9 ativado. Por isso, precis\u00e1vamos desenvolver uma t\u00e9cnica para bloquear o canal urin\u00e1rio a fim de fazer uma coleta adequada\u201d, pontua Luciana Ganeco-Kirschnik, pesquisadora da Embrapa, que participou do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s v\u00e1rios testes, a equipe conseguiu publicar o trabalho \u201cPossibilidade de coleta de s\u00eamen do pirarucu e descri\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas esperm\u00e1ticas\u201d, no qual s\u00e3o descritos, pela primeira vez, a anatomia do espermatozoide \u2013 que possui dois flagelos \u2013, rico em mitoc\u00f4ndrias; o tempo de motilidade e a t\u00e9cnica de coleta do s\u00eamen sem contamina\u00e7\u00e3o com urina. \u201cEsse foi o principal resultado do projeto Aquavitae. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 conseguir pegar o timing da ovula\u00e7\u00e3o das f\u00eameas, para conseguir coletar ov\u00f3citos e realizar a fertiliza\u00e7\u00e3o artificial com a nova t\u00e9cnica de extra\u00e7\u00e3o de s\u00eamen do macho\u201d, revela Torati. \u201cFuturamente, abriremos uma nova linha de pesquisa: a criopreserva\u00e7\u00e3o do s\u00eamen do pirarucu, tal como \u00e9 feito com outras esp\u00e9cies\u201d, acrescenta Ganeco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte\/\/Canal Rural<strong><a href=\"https:\/\/www.maisoeste.com.br\/\"><\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da&nbsp;Embrapa&nbsp;Pesca&nbsp;e Aquicultura deram um passo importante na reprodu\u00e7\u00e3o artificial do&nbsp;pirarucu&nbsp;(Arapaima gigas), esp\u00e9cie amaz\u00f4nica amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o e altamente valorizada na gastronomia e at\u00e9 pela ind\u00fastria da moda. 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