Backup no iCloud derrubou esquema que levou à prisão de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo

A operação que revelou nesta quarta-feira (15) o esquema de uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão é resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão.

Segundo a PF, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que já era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.

Os dados revelaram uma organização criminosa “autônoma e dissociada” daquela investigada inicialmente e dedicada à lavagem de dinheiro em larga escala.

A partir do material encontrado na nuvem, a PF diz ter conseguido mapear uma estrutura suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegaisrifas clandestinastráfico internacional de drogasempresas de fachadalaranjascriptomoedas e remessas para o exterior.

A organização foi alvo de uma megaoperação da PF com 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. Os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os presos.

Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos na operação, além de outros produtores de conteúdo.

Como a investigação começou?

A investigação atual nasceu de provas reunidas durante a Operação Narco Bet, de outubro de 2025, instaurada após a Narco Vela, de abril do mesmo ano. As operações apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos.

Segundo a decisão judicial, o núcleo de inteligência da PF analisou arquivos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado como contador e operador financeiro do grupo.

A partir disso, os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.

Por que o iCloud foi importante?

Segundo investigadores, o material armazenado na nuvem permitiu cruzar extratos, comprovantes, conversas, registros societários, contratos, procurações e documentos financeiros.

Na prática, o backup do iCloud virou uma espécie de “mapa” da organização criminosa. Foi a partir dele que a PF conseguiu identificar a relação entre operadores financeiros, empresas de fachada, influenciadores e artistas. Rodrigo depositava grande confiança na segurança digital do iCloud, o que acabou permitindo à Polícia Federal mapear a organização

O próprio Rodrigo de Paula Morgado é apontado pela PF como peça-chave do grupo. Segundo a decisão, ele articulava transferências bancárias, auxiliava na proteção patrimonial de MC Ryan SP e fazia repasses em nome de terceiros, além de prestar serviços de gerenciamento financeiro, ocultação patrimonial e evasão fiscal.

A Justiça autorizou, inclusive, novas apreensões de dados armazenados em nuvem, como iCloud e Google Drive, além de celulares, HDs, notebooks e smartphones, com acesso imediato aos conteúdos durante as buscas.

Fonte//G1

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