Casos de pais acusando na Justiça aplicativos de inteligência artificial de prejudicarem a saúde mental e até incentivarem o suicídio de filhos adolescentes têm se multiplicado nos Estados Unidos nos últimos meses. Segundo as famílias, plataformas como o ChatGPT, da OpenAI, e a Character.AI foram negligentes e incentivaram o sofrimento de jovens.
Essas ferramentas oferecem chatbots: canais de conversa projetados para fornecer interações semelhantes às humanas. A OpenAI e a Character.AI lamentaram os casos e anunciaram novos recursos de proteção a menores de idade. O ChatGPT é uma ferramenta de uso amplo, que busca auxiliar os usuários em tarefas práticas.
Já a Character.AI permite criar e interagir com personagens virtuais, que vão de figuras históricas a conceitos abstratos. O aplicativo se popularizou entre jovens em busca de apoio emocional.
Confira alguns processos que ganharam repercussão:
Em outubro de 2024, Megan Garcia entrou com um processo contra a Character.AI no tribunal de Orlando (EUA). Ela alega que o filho de 14 anos, Sewell Setzer III, se matou após desenvolver interações sentimentais e sexuais com uma personagem criada na plataforma, segundo a Reuters.
O adolescente conversava com “Daenerys”, uma personagem de chatbot inspirada na série “Game of Thrones” e compartilhava pensamentos suicidas. Megan afirma que o chatbot foi programado para “se passar por uma pessoa real, um psicoterapeuta licenciado e amante adulto”, o que teria aumentado o isolamento do garoto em relação ao mundo real.
Além da Character.AI, Megan também processou o Google, alegando que a gigante de tecnologia contribuiu significativamente para o desenvolvimento da startup e deveria ser considerada sua cocriadora.
A Character.AI foi fundada por ex-engenheiros do Google. Eles retornaram à empresa em agosto como parte de um acordo que deu à gigante de tecnologia uma licença não exclusiva da tecnologia da startup, segundo a Reuters. Mas o porta-voz do Google, José Castañeda, disse em um comunicado que a big tech e a Character.AI são empresas completamente separadas e não relacionadas, segundo a AFP.
Segundo o The Washington Post, um dia após Megan entrar com o processo, a Character.AI anunciou pela primeira vez um recurso que exibe alertas automáticos a usuários que digitam frases relacionadas a automutilação ou suicídio, direcionando-os a canais de ajuda.
Em novembro de 2024, outras duas famílias processaram a empresa no tribunal do Texas (EUA), em casos envolvendo saúde mental, mas que não terminaram em morte. Eles alegam que a plataforma expôs seus filhos a conteúdo sexual e incentivou a automutilação.
Um dos casos envolve um adolescente autista de 17 anos que supostamente sofreu uma crise de saúde mental após usar a plataforma. O outro acusa a Character.AI de incentivar um menino de 11 anos a matar os pais por terem limitado seu tempo de tela.
Fonte//G1